Correr maratonas não parece causar prejuízos ao coração no longo prazo — essa é a conclusão de um estudo que acompanhou 152 corredores amadores por uma década. A pesquisa reforça um debate antigo no mundo das corridas: será que submeter o corpo a esforços extremos repetidamente pode afetar a saúde cardíaca?
De acordo com o estudo, publicado em janeiro na revista Jama Cardiology, até podem ocorrer mudanças momentâneas após as provas, como o aumento da troponina (indicador associado a possíveis lesões no coração). No entanto, essas alterações são temporárias e não indicam danos permanentes na função cardíaca ao longo dos anos.
A preocupação com possíveis impactos no coração não é recente, mas os novos dados ajudam a trazer mais tranquilidade para quem encara desafios de longa distância.
Como esse marcador costuma ser utilizado no diagnóstico de infarto, seu aumento após as provas gerava preocupação tanto em médicos quanto em atletas. Além disso, exames de imagem já indicavam que o ventrículo direito — responsável por levar o sangue aos pulmões — poderia sofrer uma dilatação e apresentar uma redução temporária na força de contração logo após esforços prolongados.
No estudo mais recente, realizado por pesquisadores da Suíça, Alemanha e Estados Unidos, os corredores foram analisados em diferentes momentos: antes da maratona, logo após a prova, alguns dias depois e novamente após um período de dez anos.
Os resultados mostraram que, imediatamente após a corrida, houve uma diminuição passageira na capacidade de bombeamento do ventrículo direito. Porém, em até três dias, os índices já retornavam ao normal e permaneceram estáveis ao longo da década de acompanhamento, sempre dentro dos padrões considerados saudáveis.
De acordo com a cardiologista e médica do esporte Luciana Janot, do Hospital Israelita Einstein, o ponto de atenção não está na prática da maratona em si, mas sim no perfil de quem participa e nas condições físicas em que cada atleta encara esse tipo de desafio.